domingo, 9 de fevereiro de 2014

homens de bens

Bombas de gás lacrimogênio
que os filhinhos Deles jogam
para o bem dos filhos nossos e dos filhos dos filhos dos homens de bem
meu coração chora sangue na madrugada diante da maldade sentida
permitida, acolhida pelos baluartes donos do caráter coletivo

gritos  em uma igreja suja e corrosão
do outro lado da cidade
ta lá um corpo estendido de cão, línguas de fogo que não mais mordem a vida
em nome da incompreensão,
cão que morde a fissura capitalista
cão negro e pobre mas cada vez menos pessimista
dono agora da mordida consumista
a garota  já não mais diz amém... amém... e amém


agora ela grita por tudo o que a história roubou de si
não adianta bomba, chute e massacre diante da vontade de mudança
um grande NÃO ensaia evoluções
para nosso bem um grande não, mesmo que traga a guerra fome e a solidão.
a violência já não assusta
melhor não ser do quer ser deste jeito
grita povo insatisfeito
pode fazer o que quiserem
cobra de vidro já se encontra nos sonhos e nos versos da população
por isso os filhinhos Deles são filhos de homens de bem
ora, homens de bem também possuem bens retirados da massa famélica
essa mesma que perde o medo, a vergonha de ser américa.
e dizem: ou o brasil muda ou não fica ninguém.

homens de bens têm medo da massa que reivindica
então infiltra agentes destruidores
no meio da flor que nasce nas mãos do povo
os agentes criam o pavor
matam a beleza da flor
para que seus queridinhos frequentem harvard
e os pequeninos engraxem seus malditos sapatos

de sapato virei Zapata.
há que ensiná-los a dividir
para prosseguirem menos  porcos
mais devotos da liberdade e irmãos  da solidariedade
será que é para isso que existe sociedade?
homem de bem são os que respeitam o direito  de outrem.

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